domingo, 14 de fevereiro de 2016

O céu de uma Loj.. Maçônica



Ir.'. Lucindo de Moraes Sarmento Júnior
A.'.R.'.L.'.S.'. "Ideal e Trabaho" nº 150
Or.'. de Praia Grande - SP
 
publicado na Revista "Verdade" nº 467 - ago/set 2008
GLESP - Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo
 
 
Este interessante trabalho relaciona a representação do Plano do Teto de uma Loj.’. Maçônica, com cada uma das Luzes e Oficiais da mesma, o qual transcrevemos para conhecimento de todos os IIr.’.

 “Apenas duas coisas no Universo são infinitas: o próprio Universo e a ignorância dos homens” – Albert Einstein.

 “O Mestre Todo-Poderoso, ao exibir os princípios da ciência na estrutura do Universo, convidou o Homem ao estudo e à emulação. É como se Ele houvesse dito aos habitantes deste globo que chamamos de nosso: fiz o mundo para que nele o homem vivesse feliz, admirasse o firmamento estrelado e aprendesse a ciência dos astros. Ele agora pode prover o seu próprio conforto e aprender com minha munificência, a ser generoso com o próximo” - Thomas Payne.
 
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Devemos situar primeiramente a Estrutura Geométrica do Templo.

A figura abaixo, foi inserida no trabalho pela Redação, para melhor entendimento dos IIr.’., sendo que, as letras entre parênteses, são indicativos dos nomes das linhas.
 

Assim, a linha do Equador, representa o eixo da Loj.’. (a), dividindo-a em duas partes.

Temos ainda a linha do Trópico de Câncer (b), que atravessa todo o Templo, em linha reta e paralela ao eixo, que passa por cima da Col.’.B.’., e outra linha, a do Trópico de Capricórnio (c), da mesma forma reta e paralela ao eixo, que passa por cima da Col.’.J.’.

Temos também a linha do Meridiano da Loj.’. (d), que vai do Norte ao Sul, passando pelo centro do Oc.’. do T.’.

Temos ainda a linha do Eixo das CCol.’. (f), que vai do Norte ao Sul, passando por sobre as CCol.’. B.’. e J.’., paralela à linha do Meridiano da Loj.’.

E, finalmente a linha da Grade do Or.’. (e), que paralela à linha do Meridiano da Loj.’. passa por sobre a Grade do Or.’.

 
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A Astrologia era na Antiguidade, considerada a chave de todas as ciências humanas e naturais. O termo Astrologia deriva das palavras gregas “áster”, que significa “astro” e “logos”, que significa “palavra, razão e cômputo”.

 Suas origens e desenvolvimento no passado distante não são conhecidos. Eles se confundem com as origens da civilização. Mas, seguramente, foram as necessidades de ordem prática, como a de marcar o tempo e reconhecer a ordem geral dos movimentos celestes para poder prevê-los, que fez com que em todos os povos da Antiguidade pudessem ser encontrados tais conhecimentos.

É preciso observar que todos os sistemas primitivos do Universo eram ao mesmo tempo astrológicos e astronômicos. A observação do céu tinha como objetivo a interpretação de tais fenômenos.

A Astrologia floresceu no Egito e na Mesopotâmia (situada entre os rios Tigre e Eufrates), onde habitavam os Sumérios, Acádios e Caldeus; e, é fato insofismável que para estes povos,  o Sol, a Lua e os Planetas eram Deuses que tinham influência sobre a vida na Terra.

As provas mais antigas da existência da Astrologia são os fragmentos do relicário de um templo egípcio de 4.000 a.C., descoberto pela expedição do arqueólogo francês Frank Goddio, em 1999 e as Tabuas de argila, descobertas no século IXX, em escavações nas cidades de Niníve e Nippur, as quais já mostravam uma Astrologia bastante desenvolvida.

O conhecimento dos movimentos do Sol e da Lua levou à confecção dos primeiros calendários, ao planejamento dos plantios e colheitas e à previsão do Tempo.

No Egito Faraônico, a crença era no destino inelutável.

Contava-se que ao lado de Maat e de Ísis havia as Hathor, sete sacerdotisas que, na presença de um deus escriba, anunciavam ao recém-nascido seu destino, mas esse anúncio só era feito para os privilegiados, reis ou sacerdotes.

O conhecimento astrológico era ensinado apenas nos Templos. Os sacerdotes especialistas, inicialmente encarregados de medir o tempo, tornavam-se depois astrólogos do Estado.

Entretanto, foi a escrita cuneiforme dos povos da Mesopotâmia e a conservação dos documentos mais diversos de fatos de todos os tipos, inclusive os que se relacionavam com o céu, que possibilitou a comprovação do desenvolvimento da extraordinária tradição de observação desses povos.

Registravam, mês a mês, ano a ano e século a século, tudo que observavam e sabiam. As fases da Lua e a evolução do Sol, através das Constelações, também identificaram o movimento dos cinco planetas visíveis a olho nú (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) através do Zodíaco e determinaram seus períodos de revolução com exatidão.

Na Babilônia, já aparecem os simbolismos utilizados pela Astrologia até hoje. O deus lunar Sin reinava sobre a vegetação, os meses, os anos. Os dias e o destino dos homens.

O deus solar Shamash era o Senhor da Vida e da Justiça; Ishtar, deusa do amor, correspondia a Vênus; Júpiter era o Criador Marduk, deus protetor da Babilônia. Seu filho e companheiro Nabu, foi identificado como Mercúrio, o que segura o estilete das tabuinhas do destino, o deus das ciências.

Marte era Nergal, deus dos infernos e das armas, arauto da infelicidade, com seu inquietante brilho vermelho. Saturno, cuja evolução lenta foi notada, era assimilado a um velho Sol fatigado, Ninib, o estável, astro da justiça e da ordem.

Elias Ashmole (23/05/1617 – 18/05/1692), foi um antiquário, político, oficial de armas, estudante de Astrologia e alquimista britânico. Ilustra o transcurso da visão mundial pré-científica no século XVII. Enquanto ele imergia em estudos alquímicos, mágicos e astrológicos, era consultado com perguntas astrológicas por Charles II  e sua Corte. Foi membro-fundador da Royal Society, um estabelecimento Superior, para promover o Ensino de Experimentos Físico-Matemáticos, além de um misto de homem renascentista e filósofo hermético.

Quando criou o Rito Escocês Antigo, colocou no céu da Loj.’. trinta e seis astros. Esses corpos celestes cuidadosamente escolhidos entre mais de cinco mil outros, obedecem à uma disposição geométrica exata e são os regentes dos cargos e graus dos IIr.’. em Loj.’. (vide figura abaixo).




 

Isso posto, no Diagrama Geométrico do Teto do T.’., temos:

O Sol

É a Luz Maior do céu e da Loj.’., representa o V.’.M.’., colocado no Or.’. e no eixo da Loj.’.
Para os gregos, representava o deus Hélios, que percorria o céu numa carruagem de fogo puxada por quatro cavalos (que simbolizavam as quatro estações do ano);

A Lua

Também chamada Selene representa o 1º Vig.’.
Era filha de Hyperion e de Teia e irmã de Hélios.
Mais tarde identificada como Ártemis pelos gregos e Diana pelos romanos, também percorria o céu numa carruagem, mas de prata.

Mercúrio

Símbolo da astúcia, protetor dos viajantes e comerciantes, identificado como o Hermes dos gregos, era filho de Maia e Zeus (Júpiter), de quem recebeu o encargo de ser mensageiro dos deuses.
Tinha um par de sapatos alados e um capacete também alado. Carregava um bastão com duas serpentes enroladas (caduceu), símbolo da Paz (harmonia de forças opostas).
É o menor e mais rápido dos planetas. É também o mais próximo do Sol e por isso representa o 1º Diác.’.

 Vênus

É o segundo planeta e o mais próximo da Terra. Para os gregos era Afrodite, deusa da Beleza e do Amor. Surge sempre próxima da Lua e é o astro regente do 2º Diac.’.
*Conhecida ainda hoje como “Estrela Matutina” ou “Stella Matutina”, a primeira a aparecer no céu.
Vênus era a “mensageira do dia”, anunciando a hora de começar o trabalho. Era conhecida também como “Estrela Vespertina” ou “Estrela Vésper”, que anunciava a hora do término dos trabalhos. (* texto inserido pela Redação).

Júpiter

Era Zeus para os gregos. O maior planeta do Sistema Solar, era o Deus Supremo do Universo, pai dos outros deuses e dos homens. Júpiter era o guardião do direito, o defensor do Estado, protetor das fronteiras e do matrimônio.
Seu atributo é o raio, temido por todos os deuses e mortais. Júpiter é o astro regente do Past-Master e por isso fica no Or.’., à esquerda do Sol.

 Saturno

É o sexto planeta do Sistema Solar e o segundo em tamanho. Possui três anéis na altura do Equador e quinze satélites, dos quais, só nove eram conhecidos na época em que os Rituais foram escritos.
Saturno é Cronos para os gregos, senhor do Tempo e da Eternidade. Pai de Zeus e por ele destronado. Por isso, em Loj.’., Saturno é representado com seus três anéis e nove satélites, exatamente sobre o Centro Geométrico do retângulo do Oc.’.
Saturno rege a Cad.’. de União. Seus três anéis representam os AApr.’., CComp.’. e MM.’. Os nove satélites representam os nove cargos sefiróticos (V.’.M.’., Orad.’., Sec.’., Tes.’., Chanc.’., 1º Vig.’., 2º Vig.’., M.’.de CCer.’. e G.’. do T.’.).

Stella Pitagoris

A Estrela Virtual ou Estrela Flamejante, colocada sobre o Altar do 2º Vig.’. Representa o iniciado que consegue integrar-se ao Universo.
O Homem-Deus, Cristo, Buda ou mesmo Hércules. É o iluminado que transcende a condição humana. É o astro regente do 2º Vig.’.


Estrelas Reais

Arcturus

Estrela Alfa da Constelação de Boötis, que em grego quer dizer “guardião dos animais, zagal”. Por sua posição na Constelação da Ursa Maior, é conhecida como a “guardiã do Urso”.
Representa o cargo do Orad.’., o guardião do Or.’.
Sua posição no céu do T.’. é exatamente em cima da Grade do Or.’.

 Aldebaran

Estrela Alfa da Constelação de Touro, à qual pertencem as Plêiades e as Hyades. O nome Aldebaran significa em árabe, “o sequaz” ou “o adepto”, por causa de sua posição próxima às Plêiades e às Hyades. Na abóbada maçônica representa o cargo do Tes.’.

 Formalhaut

Estrela Alfa da Constelação de Piscis Austrinis, que em latim significa “Peixe do Sul”, e aqui uma correlação com a Col.’. Zodiacal de Peixes. Formalhaut é uma palavra árabe que significa “a boca do Peixe Azul”. Representa o cargo do Chanc.’.

 Regulus

Estrela Alfa da Constelação Leonis (de Leão) da qual é a estrela mais brilhante. Repousa quase exatamente sobre a Eclíptica e é assim representada em Loj.’. Na astrologia, Regulus sempre manteve posição de comando.
Ela dirigia todos os trabalhos do Paraíso.
Foi Copérnico quem a batizou com o nome de Regulus, que significa “Regente” ou "Regulador". Representa o cargo de M.’. de CCer.’., o mordomo ou o regente dos trabalhos da Loj.’., cuja jóia é coincidentemente, uma régua.

 Antares

Estrela Alfa da Constelação do Escorpião.
Estrela vermelha super-gigante.
Durante séculos foi a maior estrela conhecida.
Às vezes, confundida com Marte.
Com efeito, Antares, em grego significa “o rival de Marte”.
Tanto Antares como Marte (Aries) são vermelhos e ocasionalmente aparecem próximos. Antares é o astro-regente do G.’. do T.’.

 Spica

Estrela Alfa da Constelação de Virgem, que em latim quer dizer “a Espiga”, é a estrela regente do cargo de Sec.’. Além de estar nitidamente associada à Col.’. da Beleza, feminina, a Spica guarda ainda  relação com a P.’. de P.’. dos CC.'.MM.'.
Por outro lado, os primitivos instrumentos de escrita usados por gregos e romanos não eram penas, mas canetas feitas com caules ocos de certos vegetais chamados “spiculas”.
Curiosamente, Spica não é considerada uma “estrela real”, isso porque o cargo de Sec.’. não é eletivo, mas um cargo de confiança do V.’.M.’.

As Constelações

Na abóbada da Loj.’. aparecem quatro grupos de estrelas pertencentes a quatro constelações:

Órion

Constelação equatorial, facilmente identificada por sua configuração geral de um retângulo formado por três estrelas brilhantes.
Com uma linha cruzando o centro das três estrelas, formam o chamado “Cinto de Órion”, sendo conhecidas popularmente por “Três Marias” ou “Três Reis Magos”.
Na Maçonaria, Órion pode ser associado ao avental com as três estrelas do cinto representando a abeta e as quatro externas representando o retângulo do avental.
No teto do T.’., só são representadas as três estrelas, pois lembram a idade do Apr.’. M.’., que ainda não tem o domínio do espírito sobre a matéria.
A respeito da imagem do avental, mais uma coincidência, pois, na tradição árabe mais antiga, Órion era chamado de “a ovelha de cinto branco” e o avental do Apr.’.é feito de pele branca de carneiro com um cinto. Portanto, as três estrelas de Órion, são as regentes dos AApr.’. MM.’.
Híadas ou Hyades

É um grupo notável de cinco estrelas formando a ponta de uma flecha, na Constelação de Touro. As Híades, são as estrelas regentes dos com.’. O próprio grupo de estrelas tem a forma da marcha de Comp.’. e talvez a tenha inspirado.

Plêiades

É outro grupo de estrelas da mesma Constelação de Touro. São também conhecidas como “as sete irmãs”. Elas regem os MM.’. MM.’., a Plêiade de homens justos.

Ursa Maior

“O Grande Urso” é considerado a Constelação mais antiga. No teto da Loj.’., são representadas suas sete estrelas mais importantes que formam a “charrua”.
A última estrela da cauda da Ursa Maior é Alkaid, também conhecida como Benetnasch.
Ambos os nomes fazem parte da frase árabe “Qaid al Banat ad Nash”, que significa “A chefe das filhas do ataúde maior”.
Esse nome provém da concepção árabe mais antiga que representava a Ursa Maior como um caixão e três carpideiras.
Essa interpretação interessa à Maçonaria, pois a representação egípcia coincidia com a árabe, de um sarcófago (de Osíris) e sua viúva (Ísis) e filhos (filhos da viúva) em procissão fúnebre.
A Constelação da Ursa Maior é a regente dos Past-Masters, pois as quatro estrelas da cauda formam o chamado “arco real”, atributo dos Mestres Instalados.

Marte
Assim, contamos trinta e cinco astros existentes na abóbada maçônica. Falta um para completar os trinta e seis.
O último astro não está dentro do T.’.
É o planeta Marte, para os gregos Ares. Marte é o deus da guerra e, como tal, não poderia figurar entre aqueles que buscam a paz e a harmonia.
Por isso, Elias Ashmole desterrou para o Átrio, o reino profano dos tumultos e das lutas, dando-lhe a incumbência de “cobrir o T.’.”, sendo então, o astro regente do Cob.’. Do lado de dentro da porta foi colocado Antares, o rival de Marte, para garantir a fronteira entre os mundos profano e o iniciático.
Cabe aqui destacar que este trabalho foi baseado no estudo elaborado pelo ilustre Ir.’. Carlos Alberto Inácio Alexandre, M.’.I.’. da Loj.’. MMDC nº 247, há mais de duas décadas.
Os rituais dos Graus Simbólicos apenas fazem algumas (poucas) citações a respeito do assunto, o que gera dúvidas e críticas, pois devemos saber de que tudo que há dentro de um T.’., tem uma razão de ser e um simbolismo próprio.Também existem outras interpretações, variando de Rito para Rito, além das opiniões dos IIr.’. que se dedicam ao estudo de nossa Sublime Ordem.
Por exemplo, em Maçonaria e Astrologia, o ilustre Ir.’. José Castelani, associa os cargos em Loj.’. aos sete planetas esotéricos: V.’.M.’. a Júpiter, Orad.’. ao Sol, 1º Vig.’. a Marte, 2º Vig.’. a Vênus, Sec.’. a Lua, Tes.’. a Saturno e M.’.de CCer.’. a Mercúrio. * O mesmo acontece com o autor Oswald Writ, descrito no livro “Simbólica Maçônica”, de Jules Bucher (pág. 122). (*Nota da Redação).

Referências Bibliográficas do trabalho

Rituais de Graus Simbólicos

Internet - várias consultas

Boletins do Ven.’. Colégio

Mago da Franco-Maçonaria -T.Churton – Madras

Maçonaria e Astrologia – José Castelani

História da Astrologia – Serge Hutin

Sociedades Secretas – A. Tenório de Albuquerque.

Revista “A Verdade” - Glesp - A Abóbada Celeste - nº 467                    

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Aí vêm os maçons !!! Filho, vem ver !!! Vem aí os maçons !!!

Ir.’. Marcelo Tognolli 
A.'. R.'.L.'.S.'. "Stella Matutina" nº 658
Or.'. de Santo André - SP
Postado por Whats App  em 11/02/2016

 



Quem são eles?

Eles… São aqueles que estão caminhando do Oriente ao Ocidente e de Norte a Sul, com os pés firmemente no Universo.

Porque treme a Terra a cada passo que eles dão?

Porque cada um carrega sobre os seus ombros, o peso de um Templo erguido para a Verdade.

De onde são?

Eles não têm fronteiras, a Terra é sua casa e o Céu o seu telhado, formando uma raça sem cor e de todas as cores, mas têm sinais que os diferenciam dos outros.

Como os reconheces?

Eles levam o silêncio na boca e dedo pronto para assinalar o que é injusto, o falso e o hipócrita.

Estar entre eles é como estar em casa, não é preciso usar máscaras, apenas ser você mesmo.

Quantos tipos de maçons existem?

Dois. Os que são Luzes e os que são ainda Casulos.

Destes últimos há muitos, mas dos primeiros, poucos; destes primeiros podemos esperar tudo, já que os seus rostos são lisos, sem rugas ou dobras, não temem nada, porque para serem Luzes tiveram que morrer para a vida profana e secular, para finalmente serem capazes de viver.

Eles vêm do seio da Terra para ver a Luz e ser a Luz, a mesma que ilumina o caminho dos seus Irmãos.

Tudo começa e tudo acaba no mesmo, no seu interior, deixando o casulo como uma borboleta.

Mudou e deixou a pele velha por uma nova que está agora cheia de Luz !!!

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Reflexões sobre a Organização Tríplice de Rudolf Steiner

Ivan Beteto C.’.M.’.
A.'.R.'.L.'.S.'. Stella Matutina" nº 658
Or.'. de São Bernardo do Campo - SP
enviado por email em 11/02/2016



 


 
 Após 30 anos de pesquisa na ciência espiritual, por meio da fenomenologia de Goethe, Rudolf Steiner em 1917 no livro Enigmas da Alma apresentou pela primeira vez a teoria da Organização Tríplice ou trimembração, que rompia radicalmente com a fragmentação da fisiologia de sua época. Alvo de inúmeras críticas, esta proposta de entendimento do organismo ainda hoje é motivo de incompreensão ou de compreensões equivocadas que se apegam mais a literalidade de seus termos ou a preconceitos de ordem diversa. Esta grandiosa pesquisa empreendida por Steiner apresenta uma nova forma de se ver homem e o seu corpo: um instrumento da alma em sua totalidade.

Steiner, para traduzir a fenomenologia das forças observadas no organismo, viu-se diante dos termos disponíveis na fisiologia e anatomia de sua época e assim, embora certamente não desejasse restringir-se a eles, teve de optar por denominá-los como: sistema neurossensorial, sistema rítmico e o sistema metabólico, que possuem correspondência às porções do corpo humano.  Trata-se da Organização Tríplice, fato que não deveria passar despercebido ao olhar do maçom que reflita sobre o Ternário.
O sistema neurossensorial tem como centro a porção superior do corpo, precisamente na região do crânio. Conforme a fisiologia apresenta é a sede das atividades nervosas, do polo encefálico, onde residem o pensamento e a consciência.
O estudo da fenomenologia do crânio expõe algumas características deste sistema que são a dureza, a falta de flexibilidade dos ossos, ausência de movimento, a calma (o cérebro é imóvel, sendo que inúmeras patologias decorrem de contusões ou de sua “agitação”). Outra característica desta porção é o frio e a presença dos processos de “morte”, que na fisiologia são representadas pela ausência de regeneração das células nervosas. De fato, todo o processo de tomada de consciência depende de processos catabólicos (destrutivos), ou seja, de destruição do sistema neurossensorial, onde no desconstruir produz-se consciência.
Similar ao artista que dá consciência ao bloco de pedra amorfo por meio dos entalhes – retirada de material para apresentação da forma – o sistema neurossensorial atua na “morte” para revelar o sentido.

Assim, o polo neurossensorial trata, sobretudo, da imaterialidade, das imagens advindas do mundo que foram captadas pelos órgãos dos sentidos, que são representações do mundo e não a materialidade do mundo propriamente dita.

O cérebro capta luz, aroma, gosto, sensações, som e ritmo, mas não as coisas em si. Por meio desse mecanismo, se constituem os pensamentos (combinações de imagens).  Podemos dizer, que é neste sistema que encontramos a máxima liberdade de nossa alma em relação a matéria.
De modo oposto, o sistema metabólico e dos membros possui seu centro na região inferior do corpo, em órgãos abaixo do diafragma, onde seu caráter flexível e de atividade está presente de modo explícito na funcionalidade das pernas, que nos permite deslocarmos para onde desejamos.

Deste aspecto emerge a noção de que este sistema é a sede do querer, da Vontade.  Todo este movimento é relacionado ao calor e de fato é indicativo da presença de grande concentração de energia, que pode dar origem aos processos inflamatórios.

Este é o polo gerador das substâncias do corpo, da digestão, da produção caótica de células, que se opõe radicalmente a calma e a morbidez neurossensorial.

O sistema metabólico nos alude a uma grande fábrica que transforma a matéria prima, produz seus resíduos e gera novas substancias. Considerando a “vocação” deste sistema para a produção, somente poderia situar-se neste sistema o sistema reprodutivo, a função de gerar a vida.
Completando a organização tríplice, o terceiro sistema emerge naturalmente como um meio de estabelecer o equilíbrio destes dois polos.

Assumindo o papel de entrar neste jogo forças, o sistema rítmico produz a “dança” do equilíbrio entre o calor e o frio, entre a vida e a morte, entre o pensar e o querer, entre a Vontade e a Inteligência.

Como parte da poesia deste encontro amoroso entre pensar e querer, o sentir se faz presente e toma como lar a respiração, a circulação e o coração.

O coração, em verdade, é uma verdadeira barreira sensível capaz de perceber e limitar as sobreposições do sistema superior em relação ao inferior e vice-versa.

 Quando a “música” soa fora de ritmo este é um sinal claro de que desarmonias ou desequilíbrios entre os sistemas estão ocorrendo.

Porém, os ritmos não são resultados de outros sistemas, mas estão ali como mediadores que ajudam na relação pensar e querer. Isto é perceptível tanto no ritmo cardíaco e nas patologias advindas do seu “descompasso”, com frequência associadas a emoções específicas.
É importante se entender que a organização tríplice não se trata de um privilégio do organismo humano, ela pode ser aplicada a todas as coisas existentes, onde não seria forçoso dizer que a presença das três forças seria uma condição essencial para todas as coisas existirem. Ainda que no homem vejamos o reflexo, o esplendor de todo o polo neurossensorial através da presença do pensamento, podemos dizer que as flores também engendraram todo o esplendor metabólico em sua grande variedade de aromas e cores com a máxima finalidade reprodutiva.

As rochas ígneas, o enxofre, traduz todo o calor metabólico em termos de minério, mas as rochas sedimentares por meio dos quartzos parecem expor toda a capacidade de ordem que o sistema neurossensorial alcança por meio do pensar humano.

Enquanto aos animais, uns mostram-se mais neurossensoriais como o polvo – praticamente ele é somente cabeça – e outros mais metabólicos como o boi – com mais de um estomago.

Mas ainda que existam tantas variações entre os seres e minerais no mundo, todos parecem guardar em si as três forças mais ou menos explícitas. Neste sentido, a homeopatia antroposófica buscará na natureza os elementos necessários para o resgate do equilíbrio.

O mais importante a ser refletido na organização tríplice é que toda essa diversidade que está presente dentro do homem, e está presente no mundo, parece em sua totalidade expor a presença de um organismo ainda maior que contém essas três forças, cujo homem é apenas vaga imagem e semelhança sujeito a ação de suas forças.

Quando o homem entende o lugar que ocupa no mundo e as forças que estão em ação sobre ele e tudo que o cerca, ele torna-se instrumentalizado para realizar as melhores escolhas no sentido de um razoável equilíbrio, buscando o que lhe falta e evitando o que lhe excede.
           
 
Referências bibliográficas
 
Fintelmann, V. Médicine Intuitive. Paris: Aethera, 2005.
 
Blanning, A. Compendium of Anthroposophic Medical References by Rudolf Steiner. Spring Valley: Mercury Press, 2004.
 
Bott, V. Medicina Antroposófica - uma ampliação da arte de curar. Vol. 1. São Paulo: Assoc.
Beneficente Tobias, 1982.
 
Bühler, W. O metabolismo e a vida volitiva. Arte Médica Ampliada. 2012;32(3):100-9. Disponível em:
http://www.abmanacional.com.br/arquivo/cc8b3f15cb109fb1391489699bc72141db87f95
5-32-3-metabolismo.pdf
 
______. Os três membros do organismo humano. Arte Médica Ampliada. 2011; 31(2):4-
11. Disponível em http://www.abmanacional.com.br/arquivo/f7f27e063877c3f3d1fe175e90109cd3bbca3154
-31-2-os-tres-membros.pdf
 
______. O sistema neurossensorial como espelho da alma. Arte Médica Ampliada.
2012;32(4):160-9. Disponível em
http://www.abmanacional.com.br/arquivo/450cf0cb5dcdeec3fd730021b0c23fa38fb0a8b2
-32-4-sistema-neurossensorial.pdf
 
GHELMAN, R. Organização tríplice na botânica. In: UNIFESP – Especialização em Antroposofia na Saúde. Slides de aula. Material não publicado. 2013.

 

 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Trabalho sobre a Primeira Vigilância - Ir.'. José Simone - Homenagem póstuma

 
 
 
 
Trabalho elaborado e pesquisado pelo
Ir.'. José Antônio Flores Simone* 
Or.'. de São Bernardo do Campo - SP
apresentado em 08/08/2009 - em Loj.'.

Os principais cargos de uma Loj.'. Maç.'., são associados ao misticismo religioso mesopotâmico, onde além dos deuses MARDUC ou SHAMASH,  correspondentes ao SOL, SIN, correspondente à LUA e ICHTAR, correspondente à VÊNUS, existiam deuses correspondentes aos demais planetas conhecidos na Antiguidade: MERCÚRIO - deus veloz e astuto, era o senhor da guerra; JÚPITER - era o régio senhor dos homens, embora suplantado pelo rei Sol; e SATURNO - era um deus frio e irascível.
 
Na associação com os principais cargos de uma Loj.'., temos:
 
V.'.M.'. - Corresponde ao planeta JÚPITER, que no panteão dos deuses babilônicos, além de régio senhor dos homens, simbolizava a Sabedoria.
 
1º Vig.'. - Corresponde ao planeta MARTE, que era o senhor da Guerra e simbolizava a força.
 
2º Vig.'. - Corresponde ao planeta VÊNUS, feminilizado na mitologia babilônica e que, sendo a deusa mágica da fertilidade e do amor, simbolizava a beleza.
 
Orad.'.- Representa o SOL, pois dele emana a Luz, como Guarda da Lei Maçônica, sendo responsável pelas peças de Oratória.
 
Teria mais a escrever sobre os demais cargos, mas vou-me ater ao cargo de 1º Vig.'., que representa ARES (MARTE, dos romanos), deus da agricultura e da guerra, que é relacionado também, com HERÁCLES (HÉRCULES, dos romanos), o mais forte e vigoroso de todos os deuses.
 
Simboliza o Vice-presidente da Loj.'., representando HIRAM DE TIRO. Governa uma Loj.'. Maç.'. durante as horas de trabalho.
 
Sua coluna é a Dórica, que representa a força. Sua posição em Loj.'. é representada pela segunda ponta do triângulo, com o vértice para cima.
 
A jóia do 1º Vig.'. é o nível, símbolo da igualdade e da retidão.
 
Os VVig.'. são os dois primeiros OOfic.'. de uma Loj.'. Maç.'., e, em conjunto com o V.'.M.'., são os que governam a Loj.'. Simb.'., e que independentemente ou não de serem M.'.I.'., são os eventuais e legítimos substitutos do V.'.M.'..
 
O 1º Vig.'. governa as horas de labor, mantendo a harmonia, a concórdia e a satisfação dos OObr.'.
 
Orienta os AA.'. para que possam ser elevados a CC.'.
 
Cita Mackey, em sua obra: " É um dever especialmente confiado ao 1º Vig.'. da Loj.'., que figuradamente, é suposto presidir, durante as horas de trabalhos de uma Loj.'., atuando de modo que ninguém possa sair da mesma, insatisfeito ou descontente".
 
Assim, a harmonia deve ser sempre preservada, porque de acordo com o Ritual, ela é a força e o apoio de todas as instituições bem dirigidas.
 
Sua jóia é o Nível, símbolo da igualdade que deve existir entre todos os IIr.'., enquanto estiverem trabalhando em Loj.'. e depois, fora dela. Em sua posse, recebe sua jóia das mãos do V.'.M.'., com as seguintes palavras: " O Nível significa, que não obstante o elevado que ides ocupar, nunca vos deveis esquecer que, em todas as coisas concernentes à Maçonaria, todos os nossos IIr.'., estão no mesmo nível que vós".
 
Bibliografia:
Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz - José Castelani
 
* Ir.'. José Antônio Flores Simone - CAD 47854
Iniciado em: 04/12/2003
Elevado em 02/12/2004
Exaltado em: 04/03/2006
Instado em 30/06/2010
Partiu para o Or.'. Eterno em 18/02/2015
 
A publicação do presente trabalho, é nossa homenagem e nosso reconhecimento ao Ir.' José Antonio Flores Simone, bom cidadão, bom pai, bom Irmão e principalmente bom Maçom, por todo seu empenho dedicado a nossa Loj.'., durante o tempo de sua vida, que participou de seus trabalhos, visando seu real crescimento e perpetuação de seu nome, nos anais da Maçonaria Paulista, em particular da GLESP (Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo) , em lembrança ao aniversário de sua ida  para o Or.'. Eterno.

Diálogos de um velho Cobridor

 
 
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Por Carl Claudy (1879-1957)
 
Tradução: Edgard da Costa Freitas Neto, M∴ M∴
Os “Diálogos do Velho Cobridor” são uma série de pequenas peças escritas pelo Ir∴ Carl Claudy, no ano de 1924.
 

Capítulo I – Shekinah - Uma Loja nasceu
 
“E então, o que você achou? ”, perguntou o velho Cobridor ao maçom novato, tão logo saíram do salão em que uma Loj.'. havia acabado de ser consagrada, dedicada e constituída.

“Não é sempre que temos a oportunidade de assistir a esta cerimônia”.
 
“Não ligo se nunca mais a assistir de novo”, respondeu o novato.

É quente lá dentro, muito blá-blá-blá, apenas palavras sem sentido. Para que toda essa entulhação?
 
Para que os grãos, o vinho e o azeite? Por que não dizer apenas ‘vocês agora são uma Loj.'., vão em frente e trabalhem’ e acabar logo com isso?
 
“Você preferiria que o Mestre dissesse ‘esta Loja está aberta’ e ‘ esta Loj.'. está fechada’ ao invés?”, perguntou o velho Cobridor.
 
“Não chegaria a tanto”, respondeu o novato. “Mas a cerimônia me entediou. Sequer vejo razão para uma nova Loj.'., de todo modo!”.
 
“Ah! Então é isso!”. O velho Cobridor sorriu.

“Você não gostou da linda cerimônia que acabamos de testemunhar porque você não simpatiza com a criação de uma nova Loj.'. neste momento!”
 
“Eu não diria isso”, adiantou-se o moderno.
 
“Você, por acaso, gostaria de ter sido eleito para algum posto nesta nova Loj.'., e eles escolheram outra pessoa?”
 
O irmão novato não respondeu.
 
“Haverão outras Lojas!”, disse o velho Cobridor, confortando-o. “E você é bem novo na Maçonaria para aspirar a um posto numa Loj.'. nova".

"Mas não posso permitir que você permaneça com essa indisposição para uma das mais belas cerimônias de nossa amada Ordem".

"Você por acaso já assistiu uma cerimônia de formatura de alguma escola ou faculdade?”
 
“Minha filhinha acabou de concluir o primário na semana passada”, respondeu o novo Ir.'. “Por que?”
 
“Aposto que ao menos uma parte da cerimônia você viu de olhos marejados”, respondeu o velho Cobridor.
 
“Ver todos aqueles rostinhos e garotas e garotos deixando a infância e entrando na adolescência, dando um grande passo em direção ao colegial, e depois à faculdade, encarando um futuro desconhecido tão despreocupadamente…. seu coração não foi tocado por saber de todas as decepções e corações partidos que essas crianças deverão passar?”
 
“Claro!”
 
“Você não seria um pai benevolente de outro modo! Para mim, a consagração, dedicação e constituição de uma Loj.'. é algo assim. Uma pequena loja surge bravamente, É composta de maçons que não têm outras responsabilidades maçônicas.
 
Eventualmente alguém pode encontrar um M.'.I.'. que queira se juntar a eles, mas geralmente são oficiais novos, verdes. Eles convencem as autoridades de que têm competência para conferir os graus, mas quem lá sabe sua habilidade para tornar a Loj.'. um todo coerente, seu tato para manter a harmonia, seu conhecimento para a necessidade da prática da fraternidade em Loja?
 
Eles vêm, esses IIr.'., bravos e brilhantes, e a Grande Loj.'. executa esta bela cerimônia.
 
Os grãos, o vinho, o azeite, são despejados por eles. São consagrados a Deus, aos Santos de nome João, e constituída membro desta grande família de Lojas sob esta Grande Loj.'.
 
MM.'. de outras LLoj.'. estão presentes para lhes desejar sucesso. Alguns trazem presentes – jóias dos oficiais, as ferramentas, às vezes uma pequena ajuda em dinheiro para que a Tes.'. possa começar.
 
Eles não têm tradições em que se apoiar. Eles não têm assuntos de conhecimento comum que os congreguem.
Eles não têm um passado sobre o qual possam falar.
Tudo o que eles têm em comum é a Maç.'. e a responsabilidade mútua – suas esperanças, seus medos, seus planos e sua determinação.
 
Uma página em branco, onde escreverão sua história Maçônica. O laço místico é tudo o que sabem sobre uma vida em Loj.'.

A Grande Loj.'. os pronuncia uma Loj.'., lhes confere uma carta constitutiva ou patente, e eles estão nascidos. Para mim é uma visão simples, bonita, patética e interessante, e nunca me canso de vê-la”.
 
“Sou um tolo” disse, convicto, o novo maçom.
 
“Cobridor, por que o Primeiro Diácono recolheu os grãos que foram usados e os guardou?”
 
“Ele não poderia recolher o azeite e o vinho, pois foram derramados”, respondeu o velho Cobridor.

“Mas aqueles poucos grãos serão guardados até que a nova Loj.'. possa ela própria apoiar a instalação uma nova Loj.'., quando então lhes oferecerá, para que sejam consagrados com os mesmos grãos usados pela Grande Loj.'.”
 
“Oh, sou mesmo um tolo”, lamentou o novo Maçom. “Pode me levar consigo na próxima cerimônia, por favor?”
 
O velho Cobridor grunhiu. Mas soou como uma promessa.
 
AVISO: O tradutor desconhece quem detenha os direitos autorais da obra de Carl Claudy, e não reivindica para si, senão, a autoria da presente tradução. É livre a utilização e reprodução do texto para uso doméstico ou educativo, desde que atribuída a autoria do texto e da tradução.
 
Postado pelo Ir.'. Kennyo Ismail, no site "No Esquadro" (www.noesquadro.com.br), em 03//02/2016