sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O limpo e Puro se torna Justo e Perfeito



                                                                                                                                                                                   José Maurício Guimarães
                                                                                                                   jmauriciog@josemauricioguimaraes.com.br
 
Enviado através do Whats App pelo Ir.'.Wagner Buzzo ao Grupo Só IIr.'. 100

 
Bondosos Irmãos me aconselharam a não pretender consertar o mundo.
Agradeço o conselho pois sei que eles desejam o meu bem e prezam pela minha saúde.
No fundo, eles sabem que muita coisa tem que ser consertada. Todos eles, cada um à sua maneira, estão trabalhando duro para consertar este que é o melhor dos mundos.


Se desistíssemos de consertar o mundo não haveria necessidade da Maçonaria: poderíamos fechar nossas portas e irmos fazer o que boa parte dos profanos de avental anda fazendo: nada.


Dizem que o progresso é lento, não há o que apressar; mas eu penso que temos que começar em algum momento - já deveríamos ter começado - não importa se vamos presenciar o mundo ideal.
Quando plantamos uma árvore, não temos de pensar se vamos nos sentar à sua sombra; alguém no futuro irá colher esse benefício. Este é o sentido da vida. 
Dito isso, vamos em frente com esquadros, compassos, alavancas, níveis, prumos e trolhas, maço, cinzel e espadas para consertar o mundo: bastam uns ajustes aqui e ali.
Quanto ao bem da Ordem em geral, e das Lojas em particular, faríamos bem se começássemos pelo início: as sindicâncias.
Todos os dias vejo novos artigos na internet sobre as sindicâncias, sinal que o assunto preocupa muita gente e nada tem sido feito, em termos de instrução, legislação e regulamentos, para melhorá-las.


Começo minha dissertação pela certeza de que as Lojas não são "hospitais", nem reformatórios morais, apesar de o nome "oficina" sugerir uma lanternagem completa ou retífica de motor em seres humanos completamente enguiçados. A Maçonaria não existe para consertar ninguém, e sim para aperfeiçoar o que já é bom.


Um candidato deve ser limpo e puro, isto é - isento de qualquer sujidade, impureza ou mancha; deve ser livre de culpa, um homem correto, apurado e não nocivo ao meio social. Puro quer dizer claro, transparente como o cristal sem mancha ou nódoa; imaculado, virtuoso e reto. Ao se expressar em palavras, o candidato ideal deve dizer o que pensa e sente com sinceridade e franqueza.


A palavra candidato vem de "cândido", algo de grande alvura, muito branco e puro. Ouvi dizer que na remota antiguidade os candidatos às iniciações compareciam vestidos de branco.
Hoje, do jeito que são feitas, nossas sindicâncias avaliam tudo isso?


Claro que não!


Para começo de conversa, o papel aceita tudo:
- Crê em Deus? - Sim.
- Crê na preexistência e imortalidade da alma? - Sim (com essas duas respostas, resumidas em três letrinhas, pretende-se avaliar os questionamentos mais relevantes da humanidade e dos quais se ocuparam todos os filósofos durante mais de trinta séculos!


- Faz uso de bebidas alcoólicas? - Socialmente (e eu me pergunto:  o que é ingerir de álcool socialmente...)


As costumeiras entrevistas não dizem nada sobre a natureza íntima do candidato; podem, no máximo, atestar suas habilidades, seu modo de falar, o nível social em que vive e os bens que possui. Mas não revelam suas predisposições e seu verdadeiro caráter.


Percebem como é difícil sondar o coração e a mente de quem se diz limpo e puro?


Indicar alguém "para a Maçonaria" é mais do que selecioná-lo num grupo de amigos; poderá ser alguém da melhor reputação, de refinada instrução e cultura, ostentar vida familiar exemplar, ter sucesso na profissão e nos negócios, mas... não possuir o PERFIL de maçom.


Como avaliar o perfil do candidato?
- Isso só pode ser garantido pelo maçom que o está indicando -  o "padrinho"; ele é a testemunha e avalista do conjunto de traços psicológicos que tornam o candidato apto para assumir as responsabilidades de homem livre em Loja. Partem de quem apresenta um candidato as informações mais concisas, pois há de se supor que o padrinho conheça o candidato de longa data e intimamente. E mais: a Loja deverá estar certa de que o tal "padrinho" tem sido excelente maçom e obreiro dedicado. De outra forma, sendo ele um maçom descompromissado, haverá de indicar um sujeito que se lhe assemelhe, normalmente um bom piadista, excelente churrasqueiro, mestre cervejeiro, e só. Disso já estamos bem servidos.


Uma vez feita a sindicância e a mesma aprovada pela Loja, com base no que está escrito e no julgamento subjetivo dos três sindicantes, marca-se a data da Iniciação. O candidato bate à porta do Templo sendo declarado livre e de bons costumes. Daí em diante toca-se o ritual em frente com os mesmo erros e gaguejos de sempre, pois todas as atenções estão voltadas para os maçantes discursos no final e para o ágape no salão de festas.


Por estas e outras razões, quando ouço anunciarem que alguém foi indicado "para a Maçonaria", eu tremo... e costumo assistir com certa apreensão à cerimônia de Iniciação, pois não se pode dizer com certeza o que virá dali.


Tanta  pureza e tanta inocência deveriam também ser levadas em consideração na escolha de nossos representantes no mundo político. A consciência de cada cidadão faz a sindicância durante a campanha eleitoral.
 
Em seguida vem o escrutínio secreto nas urnas. Apurados os votos e consagrado o homem público na cerimônia de posse, todos correm para tirar fotos com ele. Porém, muito cuidado: quem hoje posa do nosso lado em fotografias poderá amanhã estar posando para fotos de frente e de perfil, com ficha numerada e uniforme listrado, numa delegacia da polícia federal....


Acontece a mesma coisa com o candidato que trazemos ao Portal do Templo Maçônico. Só depois de muita convivência é que teremos alguma certeza de seu verdadeiro perfil.


Não me censurem por dizer isso, pois os maiores problemas vividos pela Maçonaria foram e são causados por maçons regularmente indicados, passaram por sindicâncias, foram escrutinados e iniciados em Loja justa, perfeita e regular.
Eu poderia citar uma centena de casos locais, mas prefiro me ater ao escândalo internacional entre os anos 1966 e 1974, provocado pela Loja italiana "Propaganda Due" (Propaganda Dois ou P2) que foi declarada ilegal e expulsa do Grande Oriente da Itália por acusações de participação em negócios fraudulentos e envolvimento com a Opus Dei, membros remanescentes do nazismo, gente da máfia, conspirações neofascistas, o Banco do Vaticano e mortes misteriosas de autoridades e políticos italianos.
 
Prefiro não entrar em detalhes; esse assunto é altamente explosivo e polêmico. O que eu quero demonstrar é o caminho que certos "iniciados" podem vir a tomar, como no caso do Venerável Mestre daquela Loja "Propaganda Due", o empresário Licio Gelli, condenado a 18 anos de prisão em 1992, pela falência fraudulenta no caso do Banco Ambrosiano, e em 1994 por calúnia, delitos financeiros e por deter documentos secretos. Permaneceu em prisão domiciliar, e morreu em dezembro do ano passado em sua “villa” na Toscana.


Quem quiser se aprofundar no assunto, basta perguntar ao professor Google, ou ler o livro "Em Nome de Deus" do jornalista britânico David Yallop que investigou a morte do papa João Paulo I (Albino Luciani) em 1978.


Teoria da conspiração? fantasia? sensacionalismo? Vocês decidem (mas não confundam o título com um outro livro, de Karen Armstrong, que trata do fundamentalismo religioso).
 
E se não quiserem ter muitos pesadelos, leiam o último livro de Umberto Eco, "Número Zero", que mais verdades do que ficção. Para os preguiçosos, que não leem de jeito nenhum, há os documentários no History Channel que podem ser visualizados no youtube: [ https://www.youtube.com/watch?v=QPjRBVtMJ88 ]


O processo iniciático caracteriza-se pela passagem do homem livre e de bons costumes para Homem Justo e Perfeito (releiam esta frase e reflitam sobre seu significado... se julgarem conveniente e possível, levem essa reflexão para as Lojas).


Neste mundo, dominado pelo materialismo, já é difícil encontrarmos um homem bom e justo, vocês sabem disso; mas certificar-se de que ele é limpo, puro, livre e de bons costumes é dificílimo.


Diz a história que Diógenes, filósofo grego que viveu por volta de 300 antes de Cristo, perambulava pelas ruas com uma lamparina acesa, em plena luz do dia. Perguntado porque, ele dizia que procurava por homens verdadeiramente livres, autossuficientes e virtuosos.
Diógenes vivia seminu dentro de um barril e cercado pelos cães. Desprezava a opinião comum e afirmava que a humanidade vivia de maneira hipócrita. Aconselhava a seus contemporâneos que observassem o comportamento dos cães para maior proveito nas relações pessoais e na política.
 
Na época dele talvez não existissem Lojas como as de hoje; mas se existissem, ele seria o melhor dos sindicantes.
 
Dizem que Alexandre, o Grande, sabendo das buscas que ele empreendia, foi procurá-lo para ser seu discípulo. Encontrou Diógenes deitado no chão ao lado do barril, tomando um banho de sol. Impressionado, Alexandre disse:
- Já conquistei todas as terras do mundo, mas desejo maiores conhecimentos. Peça-me o que quiser e eu lhe darei - honrarias, escravos e tesouros. Mas antes, como posso também ajudá-lo a sair dessa miséria?"


Diógenes abriu preguiçosamente os olhos e respondeu:


- Por favor, simplesmente afaste-se um pouco para a direita, pois está tapando a luz do sol".


Alexandre retirou-se, pois ele era apenas "o Grande", sem ser Justo e Perfeito.

Quanto a Diógenes, era um livre pensador e não estava acostumado bajular os chefes!!!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ilusões de Ótica na Maçonaria


Enviado ao Grupo de Whats App "Só IIr.'. 100", pelo
Ir.'. Wagner Buzzo
Or.'. de São João da Boa Vista - SP.

                                                                                                         José Maurício Guimarães
 

 
Quem se preocupa com o bem estar da Maçonaria e o progresso de nossas instituições já deve ter percebido que uma parte dos que pedem iniciação nas Lojas o fazem por motivos opostos aos padrões de nossa Ordem.
Haja visto a quantidade de obreiros que abandona as Lojas entre o Primeiro e o Segundo Graus.
Essas estatísticas, ninguém tem ânimo de revelar, mesmo para uma pesquisa interna fundamentada em causas e motivos. "Pato ou lebre?" e assim uma ilusão de ótica que possa entreter os sentidos, torna-se insustentável - principalmente para pedreiros (maçons) que têm o olhar refinado pelo duplo parâmetro do Esquadro e do Compasso.
Quando abordo assuntos como este, alguns se preparam para "vestir carapuças", mas a atitude correta seria a de submeterem à discussão e à pesquisa séria o controverso, ao invés de desprezarem temas que nos afligem e consomem parte das nossas energias.
O problema não para por aí. Dos que permanecem nas Lojas, muitos insistem em lutar por uma fatia daquilo que erradamente consideram ser nossa Ordem - uma organização que distribui benesses ou vantagens que não derivam de esforço ou trabalho.
Não me canso de falar sobre os reais objetivos da Maçonaria: em primeiro lugar, propiciar uma Iniciação com "i" maiúsculo, capaz de proporcionar àqueles que foram introduzidos no simbolismo, as condições de conhecerem a si mesmos.
Só depois de Conhecer a Si Mesmo o iniciado estará apto a prosseguir nos segredos revelados pelo Grau de Mestre ou prosseguirem além do III. Do contrário, a Exaltação será apenas uma representação seguida de ágape, sem que os princípios metafísicos atinjam o discípulo despreparado que agora se julga "mestre".
Pergunto: o que é "conhecer a si mesmo"...? e quantos têm realizado essa "alquimia"?
O que é levantar Templos à Virtude? Façamos um exame de consciência; meçamos a profundidade das masmorras onde deveríamos sepultar os vícios:
 ˗ O vício é uma "doença do endurecimento mental e espiritual; uma doença da rivalidade e da vanglória; da vida dupla, fruto da hipocrisia típica das mediocridades; do vazio espiritual, das bisbilhotices, das murmurações e dos mexericos; doença da indiferença para com os outros; vício dos círculos fechados; doença do proveito mundano" ˗ este texto em negrito e entre aspas pertence ao discurso proferido às vésperas do Natal de 2014, pelo Papa Francisco à Cúria Romana (cardeais, bispos e monsenhores, que formam a estrutura da Igreja).
Imagino que o alto clero esteve ali reunido para saborear as pompas de fim de ano e foram surpreendidos com esse puxão de orelhas: o Papa classificando como doenças os desvios que arrastam a Igreja (e as mais sublimes instituições) para o abismo do materialismo.
Voltando às Lojas entre nós, os Graus de Aprendiz e Companheiro são feitos às pressas, no único intuito de exaltarem "a toque de caixa" um novo Mestre para compor os minguados quadros da Oficina.
As instruções são lidas de qualquer jeito e os trabalhos para aumento de salário, com raríssimas exceções, são reproduções dos rituais, plágios de livros, cópias malfeitas da internet e arremedo do que se diz nos clubes dos ungidos falsos instrutores.
Entretanto, se faltam Mestres ou Obreiros nas colunas, um dos motivo deve ser procurado nos processos eleitorais maçônicos que não suportam chapas de oposição nas Lojas, pelo receio de o debate democrático e o contraditório esvaziarem as instituições e provocarem cisões. Pelo contrário, quanto mais acirradas forem nossas discussões, mais fortalecida sai a Maçonaria.
Não entendo como pretendemos ser, construtores sociais se tememos as urnas e a alternância no poder. A administração desses aborrecimentos depende também de uma legislação mais rigorosa que não permita a criação de novas Lojas com número minguado de Obreiros; depende de as Potências estimularem a fusão e/ou incorporação daquelas Lojas que, por infelicidade, se encontrem momentaneamente impossibilitadas de cumprirem suas obrigações.
Dito isso, estou preparado para enfrentar caras amarradas e gente tola me virando as costas. Mal sabem que não estou servindo a mim mesmo e sim à Ordem em cujos altares jurei fidelidade.
Precisamos enfrentar a realidade e sairmos das zonas de conforto. Arregaçar as mangas e trabalhar.
É por causa dessas maneiras equivocadas, como se tratam os processos administrativos e iniciáticos (salvo honrosas exceções, repito), que a Maçonaria Brasileira ficou confinada à contemplação do próprio umbigo, repetindo os mesmos equívocos do passado e agindo como Narciso (personagem da mitologia grega que, encantado com a própria beleza, deitou-se na margem de um lago e definhou-se contemplando seu reflexo, até que, apaixonado por si mesmo, atirou-se na água e morreu afogado).
O QUE ACONTECEU NO PASSADO??
Um rápido olhar sobre o desenvolvimento da Maçonaria brasileira revela os fatores externos e a ambição dos "profanos de avental" que dessacralizaram nossos Templos com discursos enviesados.
Na primeira na década de 1830, marcada pelas hostilidades dos políticos brasileiros contra os portugueses, houve a impiedosa "queda de braço" entre Gonçalves Ledo e José Bonifácio que, somadas às sucessivas trocas ministeriais, levaram o Grão-Mestre, D. Pedro I, a afastar-se do Grande Oriente e abdicar do trono.
Os poderes maçônico e imperial, caíram nas mãos de José Bonifácio que conduziu a Maçonaria Brasileira a seu modo discricionário: os primeiros malhetes e o Poder Legislativo, seriam propriedades da família Andrada (e, de fato, a família Andrada está no Congresso há 190 anos "tendo produzido 15 deputados e senadores, quatro presidentes da Câmara, oito ministros de Estado e dois ministros do STF, além de governadores, prefeitos e vereadores. Ao todo, rendeu mais de 20 políticos e ocupantes de altos cargos públicos", segundo o site www.congressoemfoco.uol.com.br.
Esse estado de coisas permaneceu até a Proclamação da República ˗ segunda fase ˗ a partir de quando os dois primeiros Presidentes ˗ de 1889 a 1894 ˗ foram maçons militares, Deodoro e Floriano ˗ este último denominado "Marechal de Ferro" por ter praticado uma "ditadura de salvação nacional", salvação essa que colocou os melhores e mais esclarecidos maçons da época na periferia, com a consequente guindagem de personalidades inexpressivas (exatamente como acontece hoje, em alguns setores da Ordem e da República, quando os mais capazes são hostilizados em tudo o que são capacitados para empreender).
Tanto Deodoro quanto Floriano foram mais militares a serviço das elites, do que maçons a serviço do povo brasileiro.
Os Irmãos José do Patrocínio (jornalista e abolicionista) e Carlos Gomes, imortal compositor, foram vítimas da retaliação maçônico-republicana. Patrocínio foi "marcado" pelo "irmão" marechal que o deportou para Cucuí, no alto Rio Negro. Para o longínquo norte também foi "despachado" o genial Carlos Gomes por ter se recusando compor um hino para a República; apesar do estrondoso sucesso alcançado na Europa com a ópera "Il Guarany", Carlos Gomes teve suspensa sua nomeação para o Conservatório de Música do Rio de Janeiro, sendo despedido para o Pará, sendo vigiado pelo governo de Lauro Sodré, também maçom, etc. e tal.
Na terceira fase ˗ que vai de Prudente de Morais (1894) até Washington Luís (1930) ˗ oito entre os onze Presidentes da República foram os chamados "poderosos Irmãos", mais preocupados em acumular a tríplice função de chefe do governo republicano, Grão-Mestre do Simbolismo e Grande Comendador de algum Rito.
Ainda hoje, os desavisados usam o tratamento "poderoso irmão" sem se darem conta da infeliz conotação dessa expressão nascida do abuso de poder e ilegítima acumulação de funções na nascente República do Catete (2).
Essa situação confusa e incoerente terminou em 1930 quando Getúlio Vargas destituiu o Presidente maçom, Washington Luís, e mandou que os ministros militares o prendessem no Forte de Copacabana.
No mesmo período, Mário Behring ˗ já distanciado do GOB ˗ vinha consolidando as Grandes Lojas (1927) como Potências independentes desvinculadas de disputas políticas no âmbito da República.
A quarta fase durou uma geração inteira, aproximadamente 35 anos, arrastando-se penosamente até a década de 60, época em que a Maçonaria Brasileira cuidou apenas de conflitos internos, arengas e bate-bocas.
As Grandes Lojas e o Grande Oriente não fizeram mais do que administrarem acusações, chiliques e melindres entre homens com "barba na cara" (mais ou menos como ainda hoje, em pleno Século XXI, quando vicejam as camélias, plantas da família das Theaceae, cuja flor mimosa pode durar vários dias, desde que não se lhes toque as graciosas corolas, pois quando tocadas, cobrem-se de manchas amarronzadas que comprometem a livre expressão do pensamento).
Enfim: essas suscetibilidades, a inveja e os afetados impediram que qualquer projeto verdadeiramente maçônico fosse levado adiante.
A quinta fase coincide, por conseguinte, com os anos de chumbo da ditadura militar (de 1964 até a promulgação da Lei da Anistia em 1979). Diante da repressão, os valentões de nossa Ordem emudeceram e dedicara-se às comemorações festivas; houve pouquíssimas e pontuais reações.
Vivemos hoje a sexta fase em solo brasileiro: 200 anos de Maçonaria inseridos em 127 de República nos quais engatinha uma jovem democracia de 37 anos: a mais velha, que é a Maçonaria, imobilizada geneticamente sobre os escombros de lutas fratricidas e na disputa pelos primeiros cargos em todos os seus segmentos ˗ uma "autofagia", no conceito dos historiadores Marco Morel e Françoise Jean de Oliveira Souza.

                                                              O PANORAMA ATUAL
A sociedade de hoje ˗ acostumada com a ideia de que nós maçons, somos os paladinos da Liberdade ˗ vem perguntando sobre o que temos feito de concreto, nos últimos 50 anos, pelas causas sociais e o desenvolvimento harmonioso da República Brasileira; vem questionar sobre projetos sólidos para o futuro... e temos que reconhecer nosso despreparo em orientar a geração atual e as próximas quanto ao protagonismo e direitos próprios dos cidadãos ˗ mesmo porque não é papel da Maçonaria fazer lobby, seja ao tentarem alguns setores exercer influência direta nos poderes da República.
Não temos projeto algum, apenas ações pífias e de consenso, levadas adiante penosamente pelos grandes idealistas.
Só quando levantarmos os olhos dos próprios umbigos e tivermos coragem de dizer NÃO aos "donos da Maçonaria" e ao “mesmismo” é que ficaremos conscientes das areias movediças nas quais fomos abandonados.
a) O senso de pertencimento como se fossemos "paladinos de alguma coisa". Infelizmente       só alguns se destacam por utilizarem os "canais iniciáticos" da Maçonaria como mecanismos de atribuição pessoal, "validando" uma proeminência que, de outra forma, não conseguiriam. São atitudes, espalhafatosas e extravagantes, mórbidas e risíveis demonstrações da superestima de suas potencialidades. Só não as percebem os que, destituídos de ponderação, cometem tamanha imprudência.
b) A falta do diálogo interno, pela superabundância de instâncias mal copiadas do mundo profano, e o descuido com o que de mais sagrado é assegurado ao postulante no Grau de Aprendiz: a garantia da busca constante da verdade sem obstáculos institucionais ou censuras, mediante o constante exercício da tolerância e defesa da liberdade de pensamento.

c) O crescente predomínio dos meios da comunicação eletrônica e a velocidade das informações diminuiu nossa capacidade de concentração e estudo. De todas as classes sociais acorre uma geração informatizada antes de ser completamente educada ou instruída, especialistas em manipular celulares ligados durante as Sessões. Somos muitos grupos em Whats App e poucos interessados no profícuo convívio da Instrução, a exemplo do que realizam as Escola Maçônicas e as Lojas de Estudo e de Pesquisas, também levadas adiante por idealistas que não se curvam no altar da subserviência.
A própria Maçonaria nos aconselha o melhor antídoto para a cura desses males ˗ O VOTO (secreto e universal), livre e corajoso. Esta é a "arma" pacífica contra o continuísmo para que, no futuro, haja avaliações de desempenho e valorização do mérito (que é princípio universal maçônico). Por que não? Não é dessa forma que funcionam as instituições democráticas e as normas constitucionais republicanas?
Somos todos responsáveis pelos Irmãos que, desavisados, frequentam as Lojas 'como terapia de alívio da sobrecarga existencial, encarando a Maçonaria como o refúgio para a prática inconsciente do drama de suas angústias pessoais a ponto de se transformarem em "autômatos freudianos", praticando a solidariedade apenas pela necessidade de estarem juntos, sem a consciência de saber o porquê e a finalidade de estarem juntos' (conforme o alerta de Rosemiro Pereira Leal em seu livro "Morfologia do Rito Maçônico", p. 150; citado no meu livro "Grande Loja Maçônica de Minas Gerais-História, Fundamentos e Formação", p. 29).

Ilusões de ótica não se sustentam!!!

"Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos por todo tempo".  Dizem que esta frase é de Abraham Lincoln; mas, se não for de Lincoln, fica sendo !!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A primeira Loja Maçônica do Estado de São Paulo

Enviado ao Grupo de Whats App "Só IIr.'. 100", pelo
Ir.'. Wagner Buzzo
Or.'. de São João da Boa Vista - SP.
 
 
 
 
 
 
A primeira Loja Maçônica do Estado de São Paulo, de nome "Loja Maçônica Inteligência", foi fundada em Porto Feliz, em 19 de agosto de 1.831, quando o país vivia um clima de transição política, gerado pela abdicação do Imperador Pedro I, ocorrida a 7 de abril do mesmo ano.
 
Pode-se dizer que esta Loja, é a Loja mãe. da Maçonaria  Paulista.
 
A história registra que, depois da abdicação de D. Pedro I a Maçonaria Brasileira intensificou sua luta, organizando-se da melhor forma possível, tendo inclusive, instalado no Rio de Janeiro, o Grande Oriente Nacional Brasileiro, que elegeu como Grão Mestre, o Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva.

Naquela ocasião o Grande Oriente Nacional Brasileiro enviou emissários para as diversas Províncias, com poderes para instalar Lojas Maçônicas. 
 
Nessa oportunidade vieram à Porto Feliz os plenipotenciários João Baptista Lobo de Oliveira e Luiz Luciano Pinto, Oficiais Militares.   
 
Chegando à velha Araritaguaba  aqueles emissários maçônicos iniciaram em nossos  Augustos Mistérios,  o Tenente João Gaudie Lei, para que pudessem compor o quadro inicial da Loja, cujos trabalhos seriam desenvolvidos no Rito Oficial do Grande Oriente do Brasil.
 
* O nome desta Loja, foi encontrado no blog http://prataagnaldo.blogspot.com.br/ lojasmaçonicas-brasileiras.html.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O Eterno Aprendiz

Ir.’. Wagner Buzzo
Or.'. São João da Boa Vista - SP
postado  em 10/01/2016, pelo Whats App no Grupo Só IIr.’. 100

Olhei bem, prestei atenção!!
Vi  o Sistema Solar, o Universo em expansão.
Viajei pelas órbitas dos cometas. Questionei o rito dos planetas. Naveguei pelo espaço-tempo, Luz, Som e mundos desconhecidos. Explorei nosso passado, a vida e sua relação esotérica.
 Ganhei a Palavra Sagrada, os Sinais, magia, Cabala e Simbologia. Todos os mistérios e a ritualística periférica.
Conheci o saber, o Verbo, o Princípio e a Fé. Viajei pelas águas sagradas, senti a pureza da terra, do fogo e do ar.
Realizei as viagens simbólicas, livre, semi-nú, sem enxergar.
Segui com coragem beleza que nos conduz e descobri o valor da confiança, da descoberta da Divina Luz.
Olhei bem, prestei atenção, vi a Abóboda Celeste em seus detalhes. Encontrei a harmonia inconteste do Grande Arquiteto do Universo e sua Lei Universal, que revigora, encanta e se espalha pelas entranhas e profundezas de minha alma. Que esclarece os mistérios com a verdade fundamental.
Alma de aprendiz, que releva com graça e discernimento.
Alma calma e intuitiva que sacrifica o Espírito e ilumina a virtude do verdadeiro Irmão.
Alma que liberta o profano e que renasce com a Iniciação.
Inteligentemente, purifica a força e o pensamento do Aprendiz Maçom.
Sol que nasce no Oriente e jorra-se em Luz ao romper do dia.
Luz que movimenta a gente !!!

Os Arquétipos


Ir.’. Celso Batello
Or.'. de Santo André
enviado ao Grupo Só IIr.'.100 pelo Whats App

 

A Nação que teve como filhos, Santos Dumont, Maria Esther  Bueno, Emerson Fittipaldi, Pelé, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Machado de Assis, Hortência, Martha, Daiane dos Santos, Ademar Ferreira da Silva, César Cielo, Adib Jatene, Dom Pedro II, Princesa Isabel, entre outros, tem muito que se orgulhar de sua gente e de suas terras.
O que dizer de José Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da Independência que, sozinho, é considerado por muitos, superior aos quatro pais da Pátria norte-americana.
Há que se resgatar esses arquétipos, até por que, modelos de exemplo estão aí, para testificar nosso real potencial.
Deve se incluir ainda, os nomes do maestro Heitor Villa Lobos e do pioneiro dos transplantes de coração no Brasil, Dr. Euryclides de Jesus Zerbini.
Há aproximadamente 35 anos, o Dr Zerbini, foi convidado para participar do Congresso de Medicina do ABC e ele, embora fosse um “monstro sagrado” da Medicina, transparecia de tanta e verdadeira  humildade, que nós, míseros acadêmicos, parecíamos os professores e ele, simplesmente o aluno.
Tudo que existe, no Brasil, a respeito de cirurgia toráxica e cardíaca, que já salvou uma infinidade de vidas, se deve a este anjo que Deus um dia, enviou à Terra, como presente para a humanidade, chamado Euryclides de Jesus Zerbini.

 

Escutatória


Rubem Alves

 
enviado por email em 12/01/2016 pelo Ir.'. Nelson Jerônimo de Oliveira
 
 
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

 Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

 É preciso também não ter filosofia nenhuma.

 Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.

 Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

 Parafraseio o Alberto Caeiro:

Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.

 É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

 Daí a dificuldade:

 A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...

 Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

 Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...

 E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

 Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

 No fundo, somos os mais bonitos...

 Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.

Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.

 Há um longo, longo silêncio.

 Vejam a semelhança...

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio...

Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas.

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.

 Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.

 Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...

 Pensamentos que ele julgava essenciais.

São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

 Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades.

Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.

 Na verdade, não ouvi o que você falou.

 Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.

 Falo como se você não tivesse falado.

 Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.

 É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

 Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

 O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.

 E, assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.

E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

 Eu comecei a ouvir.

 Fernando Pessoa conhecia a experiência...

 E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras.

 A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

 No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.

 Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...

 Que de tão linda nos faz chorar.

 Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.

 Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.

 Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.