domingo, 12 de fevereiro de 2017

A Alma e o espírito




Publicado no Grupo Whats App
“Só Irmãos 100” em 20 de Janeiro de 2017 da E.’.V.’.
Do “Breviário Maçônico’ - Rizzardo da Camino, - 6. Ed. - São Paulo. Madras, 2014, p. 39.
 
 
Para profunda reflexão

 
Certos pensadores e religiosos confundem alma com espírito; trata-se de um assunto de alguma profundidade, uma vez que cada maçom sente dentro de si a existência de "alguém" que não pode definir; esse alguém é ele próprio, é o que definiria a alma. 
O espírito é a parte invisível e impenetrável, uma vez que é Deus em nós; é a parcela teísta, é o Criador envolto com a criatura. 
Diz-se que o espírito é imortal, enquanto a alma fenece quando do último suspiro; a alma morre com o ser.
Em caso de ressurreição, ou vida após a morte, a alma não abandona o corpo.
Os espíritas acreditam que a alma está ligada ao corpo por um "cordão de prata"; rompendo-se esse, a alma "sobe" e vai ocupar o seu lugar no Cosmos.
É dito que é a alma que sofre em nós quando o mal atinge o nosso corpo, incluindo a nossa mente; o espírito não é atingido por nenhum mal porque é a representação divina.
Busquemos contatar nossa alma por meio da meditação e encontraremos respostas surpreendentes.
Contudo, é possível ao homem contatar com o seu espírito por meio de exercícios, pertinácia e aventura.

Ata Histórica da Sessão de Instalação do Grande Oriente do Brasil - 1822


 
Publicado na página do Facebbok
em 26/01/2017 da E.'.V.'.

Reproduzimos a seguir, um documento pouco divulgado e pouco conhecido, mas de suma importância para a Maçonaria Brasileira, eis que implanta uma Potência Maçônica nacional e desvinculada do Grande Oriente Lusitano.

 

Poucos meses depois, o próprio país tornou-se independente de Portugal, tendo, a Maçonaria, contribuído decisivamente para tal.

 

Foi uma iniciativa da Loja Commercio e Artes, que se dividiu em duas outras Lojas, possibilitando, assim, com três Lojas, a formação de uma Potência Maçônica. Historiadores, eminentes IIrm.’. e mesmo o próprio Grande Oriente do Brasil, por muito tempo, considerou que essa histórica sessão ocorrera em 28 de maio de 1822, por desconhecimento do complicado Calendário Maçônico utilizado na época.

 

A sessão ocorreu, na verdade, em 17 de junho de 1822, no Rito Adonhiramita, como se pode observar pela utilização de nomes históricos, característica do Rito.

Sem mais delongas, vamos à ata de instalação do Grande Oriente do Brasil, valendo dizer que os parênteses são nossos.

 

À GL.’. DO GR.’. ARCH.’. DO UNIVERSO

1ª SESSÃO - ASSEMBL.’. GER.’.

 

Aos 28 dias do 3º mez do anno da V.’.L.’. 5822 (segunda-feira, 17 de junho de 1822 E.’.V.’.) achando-se abertos os trabalhos da Nossa ordem, em o gr.’. de Aprendiz, e havendo descido do Oriente o Ir.’. Gracco (Capitão João Mendes Vianna), Ven.’. da Loj.’. Commercio e Artes, única até este dia existente e regular ao Or.’. do Rio de Janeiro, porque nessa occasião reassumia o Povo Maçon.’., reunida para a Inauguração e Creação de um Grande Oriente Brasiliano, tôda a plenitude dos seus poderes, foi por aclamação nomeado o Ir.’. Gracco (Capitão João Mendes Vianna), que acabava de Ven.’., para Presidente da sess.’. magna e extraordinária, naquela occasião convocada para a eleição dos OOfic.’. da Gr.’. Loj.’., na conformidade da Constituição jurada. Tomando assento no meio do quadro, em uma mêsa para esse fim preparada, na qual estava o Evangelho, o Compasso e a Esquadria, a Constituição e uma urna, disse o Presidente que era mistér nomear um Secr.’. e um Escrutinador para a apuração dos votos na presente nomeação; e sendo eleito o Ir.’. Magalhães (Miguel de Macedo), que servia de 1º Vig.’., e o Ir.’. Annibal (Major Albino dos Santos Pereira), que servia de 2º, aquele para Secret.’. e este para Escrutinador, fêz o Presid.’. ler os artigos da Constituição, respectivos à eleição, e logo depois que o Presid.’. disse que se passava a fazer a nomeação do Gr.’. Mestr.’. da Maçon.’. Brasiliana, foi nomeado por aclamação o Ir.’. José Bonifácio de Andrada. Propoz logo o Ir.’. Presid.’. que se aplaudisse tão distinta escolha, com a tríplice bateria e se despachasse ao novo eleito uma Deputação, a participar-lhe este sucesso e a rogar-lhe o seu comparecimento para prestar o juramento de tão alto emprêgo. Foram nomeados para a Deputação o Ir.’. Diderot (Joaquim Gonçalves Ledo) e o Ir.’. Demetrio (Antonio dos Santos Cruz), os quais voltaram, dizendo o Ir.’. Diderot (Joaquim Gonçalves Ledo) que o Gr.’. Mestr.’., por motivos que obrigações a que o chamava o seu emprêgo civil, não podia comparecer; que aceitava aquelle com que esta Loj.’. o honrava e agradecia; que protestava a todo o Corpo Maçon.’. Brasileiro a mais cordial amizade e todos os serviços que lhe fossem possíveis. Procedeu-se depois a nomeação do Delegado do Gr.’. Mestr.’., e bem que a Constituição determinasse que fôsse ela feita por votos, o mesmo Povo dispensou o artigo, fazendo a escolha por aclamação e foi com effeito aclamado o Ir.’. Joaquim de Oliveira Alves. Applaudiu-se a sua eleição e enviou-se-lhe uma Deputação, composta do Ir.’. Turenne (Brigadeiro Luiz Pereira da Nóbrega) e do Ir.’. Urtubie (Major Francisco de Paula Vasconcelos), a qual, de volta, participou que se achava  na sala dos passos perdidos o Ir.’. Gr.’. Delegado. Saiu uma nova Deputação de cinco membros, dirigindo-lhe a palavra o Ir.’. Diderot (Joaquim Gonçalves Ledo). Foi depois introduzido na Loj.’. por baixo da abóbada de aço e estrelada, e prestou o juramento seguinte: “Eu, F.’. de livre accordo e vontade, na Presença do Supr.’. Arch.’. do Universo, que lê no meu coração e na de todo o Povo Maçon.’. Brasil.’. aqui representado, juro de não revelar a profano algum, nem Maç.’. deste ou de outro qualquer Or.’., a palavra sagrada da Ord.’. e a de Passe deste Or.’., assim como todos os segredos que são concernentes ao logar de Gr.’. Delegado do Or.’. Brasil.’., tanto nesta occasião como em outra qualquer, excepto ao meu futuro successor. Outrossim, prometo preencher todas as obrigações do meu cargo, conformando-me com a Constituição deste Or.’. e com os Regulamentos da Gr.’. Loj.’., de uma maneira que possa promover o augmento e gloria deste Or.’. e de todas as LLoj.’. do seu circulo; e de empregar todos os meus esforços, sempre que forem necessários, a bem de todos os Maçons, e de sustentar a causa do Brasil (importante e esclarecedor trecho do juramento: “sustentar a causa do Brasil”), quando compatível fôr com as minhas faculdades. E si trahir e perjurar qualquer destas obrigações, de novo me submeto às penas dos meus ggr.’. e ao desprezo e execração pública. Assim Deus me salve!”. Recebeu aplausos, dirigiu a palavra a toda a Gr.’. Assembléia e pediu que o dispensasse de assistir por mais tempo, porque deveres, igualmente sagrados, do seu emprêgo, o chamavam à casa. Saindo o Gr.’. Delegado procedeu-se, por cédulas nominais, à nomeação dos demais OOffic.’. da Gr.’. Loj.’.  e saíram em maioria absoluta, para 1º Gr.’. Vig.’. o Ir.’. Diderot (Joaquim Gonçalves Ledo); para 2º o Ir.’. Gracco (Capitão João Mendes Vianna); Gr.’. Orad.’. o Ir.’. Kant (Cônego Januário da Cunha Barbosa); Gr.’. Secret.’. o Ir.’. Bolívar (Capitão Manoel José de Oliveira); Promotor o Ir.’. Turenne (Brigadeiro Luiz Pereira da Nobrega); Gr.’. Chanc.’. o Ir.’. Adamastor (Francisco das Chagas Ribeiro). Foram gradualmente applaudidas as suas nomeações e seguiram-se as nomeações dos VVen.’. das três LLoj.’. Metropolitanas, que se devem igualmente  erigir, e foram eleitos  os IIr.’. Brutus (Major Manoel dos Santos Portugal), Annibal (Major Albino dos Santos Pereira) e Demócrito (Major Pedro José da Costa Barros) (importante observar que muitos Maçons eram militares de alta patente e que vieram a contribuir, quando da Independência do Brasil, com a consolidação do regime, sendo deslocados para debelar os focos de resistência). Aplaudiu-se a nomeação e em ato sucessivo prestou o 1º Gr.’. Vig.’.  o juramento, nas mãos do Presidente, e subindo ao throno o deferiu a todos os OOffic.’.  e VVen.’.. Mandando depois os OOffic.’. da Gr.’. Loj.’. tomarem os seus logares, ordenou aplausos de agradecimentos a todos os OOffic.’. da pretérita Loj.’. Commercio e Artes pelos seus assíduos desvelos na causa da Maçon.’.. Proposta, pelo Ir.’. 1º Gr.’. Vig.’., para a proxima sessão o sorteamento  dos membros e nomeação  dos DDign.’. das LLoj.’. novamente creadas, o Ir.’. ex-Orad.’., pedindo a palavra, ponderou que podia, pela sorte, ficar alguma das LLoj.’.  privadas de IIrm.’. que, pelo seu gr.’., pudessem ser DDign.’.; portanto propunha que se fizesse o sorteio por turmas dos ggr.’.  existentes, para que a cada uma coubesse igual numero de IIr.’. graduados. Porem o 1º Gr.’. Vig.’., tomando a palavra, mostrou que era mais liberal sortear promiscuamente  e deixar a cada uma das LLoj.’. a nomeação  dos seus DDign.’., para o que poderia ser eleito qualquer Ir.’. de qualquer gr.’.  dando-se depois o gr.’. de Mestr.’., assim como na creação da Gr.’. Loj.’., saindo GGr.’. DDign.’. IIr.’. MMestr.’., ipso facto hão de receber os altos ggr.’.. E supposta a moção suficientemente discutida e posta a votos foi aprovada a emenda e se decidiu que se procedesse da maneira indicada pelo Ir.’. 1º Gr.’. Vig.’.. Deste modo se deram por terminados os trabalhos desta ses.’. magna e extraordinária, ficando assim instalada a Gr.’. Loj.’., ordenando, porém, o 1º Gr.’. Vig.’. que eu, Secr.’. da Gr.’. Loj.’., lavrasse e exarasse a sua ata, para perpétuo documento, neste Livro, que deverá servir para as das Assembéias Gerais e igualmente da Gr.’. Loj.’.

Na 2ª sessão, realizada 4 dias depois, em 21 de junho, foram sorteados outros 32 IIr.’. para cada uma das 3 LLoj.’. que comporiam o Grande Oriente do Brasil e na 3ª sessão, realizada no dia 29 de junho, decidiu-se os títulos distintivos das LLoj.’. nº 2 (União e Tranqüilidade) e 3 (Esperança de Nichteroy). O nº 1 foi mantido para a Loj.’. Commercio e Artes.

 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A MAÇONARIA NO BRASIL ANTES DA FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE DO BRASIL (1822)



Enviado por email em 19/01/2017 da E.'. V.'., pelo
Ir.'. José Carlos Vicenzo
da ARLS "Luz de São João" nº 750
Or.' de São Bernardo do Campo - SP


Existe pouca literatura maçônica confiável a respeito desse assunto, permanecendo um tanto nebuloso e caótico os primórdios da Maçonaria no Brasil. Além disso, muitos historiadores Profanos e mesmo Maçons, confundiram certos clubes e associações secretas com Lojas Maçônicas,
provavelmente em virtude de abraçarem ideais maçônicos e deles participarem Maçons.


A Maçonaria foi introduzida no Brasil no final do século XVIII, com o despertar da consciência e o crescente desejo da independência, agravado pelos cruéis e implacáveis métodos que Portugal infligia aos brasileiros, sobretudo em relação a qualquer sentimento nativista de emancipação política do jugo português. Todavia, no início do século XIX é que começaram a proliferar Lojas Maçônicas nos estados de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Umas independentes de qualquer Obediência Maçônica e outras sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano ou do Grande Oriente de França.
Não se tem certeza de qual Rito praticavam as independentes, mas as jurisdicionadas ao Grande Oriente de França funcionavam no Rito Moderno ou Francês e as jurisdicionadas ao Grande Oriente Lusitano no Rito Adonhiramita.

1789 – Minas Gerais: Discutível a afirmação do Ir.’. A. T. Cavalcanti in “A Maçonaria e a Grandeza do Brasil”, que afirma que não só Tiradentes como outros inconfidentes eram Maçons e que ele chegou a fundar uma Loja
Maçônica no Arraial do Tijuco, hoje Diamantina - MG. Não há como se provar que o protomartir da Independência do Brasil tenha sido Maçom, conquanto seus companheiros inconfidentes possam ter sido efetivamente iniciados na Europa, pois muitos mineiros, na época, foram estudar na Universidade de Coimbra, retornando ao país com ideais liberais e libertários que circulavam na Europa em fins do século XVIII. O alferes (subtenente) Tiradentes, em verdade, não tinha a mesma relevância de outras figuras que participaram da Inconfidência Mineira, como Cláudio Manuel da Costa (poeta e ex secretário de governo), Tomás Antônio Gonzaga (ex ouvidor da comarca), Inácio José de Alvarenga Peixoto (minerador e grande proprietário de terras), Francisco de Paula Freire de Andrade (tenente-coronel), Domingos de Abreu Vieira (coronel) e os padres Carlos Correia de Toledo e Melo, José da Silva Oliveira Rolim e Manuel Rodrigues da Costa.
Provavelmente, foi usado como “cristo”, pois foi o único condenado à morte, servindo de exemplo para que outros brasileiros não tivessem as mesmas ideias libertárias. Foi enforcado, decapitado e esquartejado. Sua cabeça foi fincada a um poste em Vila Rica e seus restos mortais distribuídos em
Santana das Cebolas (atual Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul), Varginha do Lourenço, Barbacena e Queluz (atual Conselheiro Lafaiete).


1796 – Pernambuco: Alguns autores sustentam que o Areópago de Itambé teria sido uma Loja Maçônica, mas certamente não foi, conquanto tenha sido criado sob inspiração maçônica.
Era formado tanto por Maçons quanto por Profanos.

1797 – Bahia: Fundação da primeira Loja Maçônica no Brasil, a bordo da fragata francesa La Preneuse, a Loja Cavaleiros da Luz, que se fixou em Barra, distrito de Salvador.
Provavelmente funcionava no Rito Moderno ou Francês e não se tem registros de por quanto tempo funcionou.

1800 – Rio de Janeiro: Fundada em Niterói a Loja União, que em 1801 tornou-se a primeira Loja regular brasileira, sob o título Loja Reunião, jurisdicionada ao Grande Oriente de França, pelo Oriente da então Ille de
France, possessão francesa e atual Ilhas Maurício, possessão britânica.
Funcionava no Rito Moderno ou Francês.

1802 – Bahia: Fundada em Salvador a Loja Virtude e Razão, que logo “bateu colunas” devido as perseguições do governo português. Alguns remanescentes dessa Loja fundaram, em 1807, a Loja Virtude e Razão Restaurada, passando,
depois, a se chamar Loja Humanidade.

1804 – Rio de Janeiro: Fundada pelo Grande Oriente Luzitano a Loja Constância e Filantropia e Loja Emancipação, fechadas em 1806 por ação do Conde dos Arcos. As Lojas funcionavam no Rito Adonhiramita.

1808 – Rio de Janeiro: Com a vinda da Corte Portuguesa para o Rio de Janeiro, em fuga das invasões napoleônicas, fundou-se a Loja São João de Bragança, da qual fizeram parte muitos funcionários do Paço e a Loja Beneficência. Ambas funcionavam no Rito Adonhiramita.

1809 – Pernambuco: Fundação da Loja Regeneração.

1812 – Rio de Janeiro: Fundada em Niterói a Loja Distintiva, que tinha em seu estandarte um índio de olhos vendados e manietado com grilhões e um gênio em ação de o libertar, uma referência claramente republicana e revolucionária.

1813 – Bahia: Fundação em Salvador da Loja União.

1815 – Rio de Janeiro: Fundadas em Campos dos Goytacazes as Lojas “Firme União”, ”União Campista” e ”Filantropia e Moral”.

1815 – Rio de Janeiro: Fundação da Loja Commercio e Artes, fechada em 1818 por ordem do governo português, que proibia o funcionamento de sociedades secretas tanto no Brasil quanto em Portugal em virtude de dois fatos ocorridos em 1817: a Revolução Pernambucana, movimento revolucionário
nacionalista, e a Conspiração Liberal de Lisboa, liderada pelo ex-Grão-Mestre do Grande Oriente Luzitano, o General Gomes Freire de Andrade. Em 1821 a Loja Commercio e Artes – Idade do Ouro foi reinstalada, sob os auspícios do Grande Oriente de Portugal, Brasil e Algarves e em 1822 cindiu-se em duas outras, a União e Tranquilidade e a Esperança de Nichteroy, constituindo assim o Grande Oriente do Brasil, livrando-se da subordinação à Obediência Maçônica portuguesa e fomentando a Independência do Brasil. As primeiras Potências Maçônicas a reconhecer a nova Obediência foram as da França, Inglaterra e Estados Unidos.

Os Cavaleiros Templários e a Ordem Econômica Medieval




Tim Harford
Publicado em “UOL Economia”
em 01/02/2017 da E.'.V.'.

 

Na Fleet Street, uma das mais movimentadas do centro de Londres, a dez minutos à pé da Trafalgar Square, existe um arco de pedra pelo qual muita gente pode passar e viajar no tempo.
 
  Temple Church - Londres
 
 
    
Duas fotos do interior do Temple Church

Um pátio tranquilo leva a uma capela estranha, circular, e a uma estátua de dois cavaleiros em cima de um único cavalo. A capela é a Temple Church, construída pela Ordem dos Templários em 1185, quando ficou conhecida como a "casa londrina dos Cavaleiros Templários".
 
 
Mas a Temple Church não tem apenas uma importância arquitetônica, histórica e religiosa. Ela também foi o primeiro banco de Londres.

Os Cavaleiros Templários eram monges guerreiros. Era uma ordem religiosa, com uma hierarquia inspirada na teologia e uma missão declarada (além de um código de ética), mas também um exército armado e dedicado à "Guerra Santa".

 

Mas então como eles chegaram ao negócio dos bancos?

Os Templários dedicaram-se inteiramente à defesa de peregrinos cristãos a caminho de Jerusalém. A cidade havia sido capturada na primeira Cruzada em 1099, e ondas de peregrinos começaram a chegar, viajando milhares de quilômetros pela Europa.

Esses peregrinos precisavam, de alguma forma, bancar meses de comida, transporte e acomodação para todos eles, sem precisarem carregar grandes somas de dinheiro consigo - já que isso os tornaria alvo fácil para ladrões.

Afortunadamente, os Templários tinham uma solução. Um peregrino poderia deixar seu dinheiro na Temple Church em Londres, depois pegá-lo de volta em Jerusalém. Em vez de carregar o dinheiro até lá, ele só precisaria levar uma carta com o crédito. Os Cavaleiros Templários eram a Western Union (conhecida empresa que faz transferência de dinheiro entre países) da época das Cruzadas.

Não sabemos direito como os Templários faziam esse sistema funcionar, nem como se protegiam contra fraudes. Havia um código secreto para verificar o documento e a identidade do viajante?

Banco privado

Os Templários não foram a primeira organização no mundo a oferecer esse tipo de serviço. Diversos outros países haviam feito isso antes, como a dinastia Tang na China, que usava o "feiquan" - "dinheiro voador", um documento de duas vias que permitia a comerciantes depositarem seus lucros em um escritório regional e depois pegarem o dinheiro de novo na capital.

Mas esse sistema era operado pelo governo. O sistema bancário oferecido pelos Templários funcionava muito mais como um banco privado (embora pertencesse ao papa) aliado a reis e príncipes ao redor da Europa e gerenciado por uma parceria de monges que tinham feito voto de pobreza.

Os Cavaleiros Templários fizeram muito mais do que apenas transferir dinheiro por longas distâncias, informa em seu livro Money Changes Everything ("Dinheiro muda tudo", em tradução livre), William Goetzmann que disse que, eles ofereciam uma série de serviços financeiros reconhecidamente avançados para a época.

Se você quisesse comprar uma ilha na costa oeste da França (como o rei Henrique III, da Inglaterra fez nos anos 1200 com a ilha de Oleron, a noroeste de Bordeaux), os Templários poderiam ajudar a fechar o negócio.

Henrique III pagou 200 libras por ano, por cinco anos para os Templários em Londres, e quando seus homens tomaram posse da ilha, os Templários zelaram para que o vendedor tivesse recebido todo o dinheiro.

Ainda nos anos 1200, as Jóias da Coroa foram mantidas no Templo como uma forma de segurança para um empréstimo (com os Templários atuando como uma espécie de casa de penhor).

Os Cavaleiros do Templário não foram o banco da Europa para sempre, claro. A Ordem perdeu sua razão de existir depois que os cristãos europeus perderam completamente o controle de Jerusalém em 1244, e os Templários foram dissolvidos por completo em 1312.

Então quem assumiu essa função bancária que eles deixaram?

Se você tivesse presenciado a grande feira de Lyon em 1555, poderia conhecer a resposta. Ela foi o maior mercado para comércio internacional de toda a Europa.

Troca sofisticada

Mas nessa edição da feira, começaram a circular rumores sobre a presença de um comerciante italiano que estava fazendo fortuna no local.

Ele não estava comprando, nem vendendo nada. Tudo o que ele tinha à frente era uma mesa e um tinteiro.

Dia após dia, ele recebia comerciantes e assinava pedaços de papel - e, de certa forma, ficava rico.

Os moradores locais olhavam para ele com suspeita.

Mas para uma nova elite internacional das grandes casas de mercadoria da Europa, suas atividades eram perfeitamente legítimas.

Ele estava comprando e vendendo dívidas e, ao fazer isso, estava gerando um considerável valor econômico.

Um comerciante de Lyon que quisesse comprar, digamos, lã de Florença, poderia ir a esse banqueiro e pedir um tipo de empréstimo chamado de "conta de troca". Era um documento de crédito, que não especificava a moeda de transação.

Seu valor era expressado em "ecu de marc", uma moeda privada usada para essa rede internacional de banqueiros.

E se os comerciantes de Lyon ou seus agentes viajassem a Florença, a "conta de troca" do banqueiro de Lyon seria aceita pelos banqueiros de Florença, que trocariam sem problemas o documento pela moeda local.

Por essa rede de banqueiros, um comerciante local podia não só trocar moedas, mas também "traduzir" seu valor de compra em Lyon para valor de compra em Florença, uma cidade onde ninguém havia ouvido falar sobre ele. Era um serviço valioso, que valia a pena.

De meses em meses, agentes dessa rede de banqueiros se encontravam em grandes feiras como a de Lyon, conferiam suas anotações e acertavam as contas entre si.

Nosso sistema financeiro de hoje tem muito a ver com esse modelo.

Um australiano com um cartão de crédito pode fazer compras em um supermercado de Lyon. O supermercado checa com um banco francês, que fala com um banco australiano, que aprova o pagamento ao comprovar que ele tem o dinheiro em conta.

Contrapontos
Mas essa rede de serviços bancários sempre teve também seu lado obscuro.

Transformando obrigações pessoais em dívidas negociáveis internacionalmente, esses banqueiros medievais passaram a criar seu próprio dinheiro privado, fora do controle dos reis da Europa.

Ricos e poderosos, eles não precisavam mais se submeter às moedas soberanas de seus países.

O que de certa forma ainda é feito hoje em dia. Os bancos internacionais estão fechados em uma rede de obrigações mútuas difícil de entender ou controlar.

Eles podem usar seu alcance internacional para tentar contornar impostos e regulamentações.

E considerando que as dívidas entre eles são um tipo claro de dinheiro privado, quando bancos estão fragilizados ou com problemas, o sistema monetário do mundo todo também fica vulnerável.

Nós ainda estamos tentando entender o que fazer com esses bancos.

Nós não podemos viver sem eles, ao que parece, mas também não temos certeza de que queremos viver com eles. Governantes há muito tempo procuram formas de controlá-los.

Às vezes, essa abordagem tem sido no esquema "laissez-faire" ("deixai fazer"), outras vezes não.

Poucos governantes tem sido mais duros com os bancos do que o rei Felipe IV, da França. Ele devia dinheiro para os Templários, e eles se recusaram a perdoar seu débito.

Então, em 1307, no local onde hoje fica a estação "Temple" do metrô de Paris, Felipe lançou um ataque ao Templo de Paris (o primeiro de uma série de ataques ao redor da Europa).

Os templários foram torturados e forçados a confessar todos os pecados que a Inquisição pudesse imaginar.

A Ordem acabou sendo dissolvida pelo papa.

O Templo de Londres foi alugado para advogados.
 
 

E o último grande mestre dos Templários, Jacques de Molay, foi trazido ao centro de Paris e queimado publicamente até a morte.

                            *Tim Harford escreve uma coluna de economia no Financial Times.
                              "As 50 coisas que fizeram a Economia Moderna" é um programa
                                            transmitido no Serviço Mundial de rádio da BBC. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Religião e a Espiritualidade

 
Texto postado pelo Ir.'. José Ortiz
no grupo Whats App " Só Ir.'. 100"
em 18/01/2017 da E.'.V.'.
 

Texto muito bonito do Pe. Pierre Teilhard de Chardin (nascido em Orcines, 1 de maio de 1881 - falecido em Nova Iorque, 10 de abril de1955), foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que tentou construir uma visão integradora entre ciência e teologia)
 

"A religião não é apenas uma, são centenas.

A espiritualidade é apenas uma. 

A religião é para os que dormem. 

A espiritualidade é para os que estão despertos. 

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados. 

A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior. 

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas. 

A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo. 

A religião ameaça e amedronta. 

A espiritualidade lhe dá Paz Interior. 

A religião fala de pecado e de culpa. 

A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".. 

A religião reprime tudo, te faz falso. 

A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro! 

A religião não é Deus. 

A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus. 

A religião inventa. 

A espiritualidade descobre. 

A religião não indaga nem questiona. 

A espiritualidade questiona tudo. 

A religião é humana, é uma organização com regras. 

A espiritualidade é Divina, sem regras. 

A religião é causa de divisões. 

A espiritualidade é causa de União. 

A religião lhe busca para que acredite. 

A espiritualidade você tem que buscá-la. 

A religião segue os preceitos de um livro sagrado. 

A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros. 

A religião se alimenta do medo. 

A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé. 

A religião faz viver no pensamento. 

A espiritualidade faz Viver na Consciência.. 

A religião se ocupa com fazer. 

A espiritualidade se ocupa com Ser. 

A religião alimenta o ego. 

A espiritualidade nos faz Transcender. 

A religião nos faz renunciar ao mundo. 

A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele. 

A religião é adoração. 

A espiritualidade é Meditação. 

A religião sonha com a glória e com o paraíso. 

A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora. 

A religião vive no passado e no futuro. 

A espiritualidade vive no presente. 

A religião enclausura nossa memória. 

A espiritualidade liberta nossa Consciência. 

A religião crê na vida eterna. 

A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna. 

A religião promete para depois da morte. 

A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual... 

...somos seres espirituais passando por uma experiência humana..." 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ESTAR PRESENTE NAS SESSÕES DA LOJA: OBRIGAÇÃO OU NECESSIDADE?



Contribuição: Ir.'. Adalberto Pinho
Or.`. de Lapão/BA
Postado no Grupo Só IIr.’. 100
pelo Ir.’. Mans
Em 09/01/2017 da E.’. V.’.

 O comparecimento dos IIr.’. às sessões de sua Loj.’., com efetiva participação nos trabalhos desenvolvidos, é indispensável.
 
O Ir.’. deve contribuir diretamente com sua ação, para que o V.’.M.’., juntamente com sua administração, possam conduzir a Loj.'. de modo dinâmico e empreendedor, num ambiente de harmonia e fraternidade, para que os IIr.’. do Quad.’. tenham satisfação e alegria em comparecer às sessões, fazendo lembrar as palavras do salmista, quando disse: “Alegrei-me quando me disseram:  Vamos à casa do Senhor”.

Não é certo que o Ir.’. faltoso, por cerca de dois ou três meses, ao chegar à sua Loj.’., em vez de procurar por uma visão panorâmica dos trabalhos e dos IIr.’. do Quad.’., apenas pergunte ao Ir.’. Tes.’.: Quanto devo? Ou qual é o meu débito?
Tais indagações, poderiam gerar uma resposta, em forma de pergunta, Qual débito meu Ir.’.?, Débito para com a Loj.’., para com os IIr.’. ou para com a Maçonaria? Não basta ser apenas a contribuição material. 

Estar em dia com o Ir.’. Chanc.’.e com o Ir.’. Tes.’., pouco significa, porque decorre unicamente, da menor parte,  do conjunto das obrigações assumidas, por ocasião de sua Iniciação.

 “Sois maçom? A resposta não pode ser: “meus IIr.’. como contribuinte me reconhecem”.  

COLUNAS ERGUIDAS -  é a presença viva dos IIr.’. nas sessões e nos trabalhos que mantém uma Loj.’. Maç.’. com suas Colunas Erguidas,

Viver em harmonia e concórdia naquela Casa Perfeita, depende exclusivamente da atitude e ação de cada Obr.’. 

Não basta ser iniciado, tem que participar dos trabalhos, das sessões ritualísticas, estudar, conviver para que o desbastar da P.`. B.`. seja evolutivo e que a sua Loj.’. seja seu orgulho.
 
Não é uma simples dor de cabeça ou uma indisposição que vai lhe tirar da salutar convivência entre IIr.’. e fazê-lo deixar de contribuir para uma “egrégora” perfeita. 

Reflitamos meus IIr.’. sobre o que realmente queremos na Maçonaria e qual a nossa postura diante de nossa secular Sublime Ord.’.